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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

02.Abr.07

MICRORGANISMOS TEMIDOS NO HOSPITAL

 

 

Apesar das medidas de segurança e desinfecção, os hospitais não escapam às infecções, também chamadas de nosocomiais. A infecção hospitalar é o inimigo invisível número um, um ser vivo diminuto e muito evasivo: a bactéria, que muitas vezes agrava o estado de saúde dos doentes e provoca até a morte.

Os microrganismos ou bactérias que por vezes se tornam multirresistentes, enganam as medidas de segurança e assepsia das unidades de Saúde, ou seja, são um verdadeiro inimigo ao trabalho do médico, pois suprimir por completo a possibilidade de um doente que entra num hospital contrair uma infecção é algo impossível. Só fechando todos os hospitais se acabaria com estas infecções.

Um problema que estima-se que ocorra todos os anos, na União Europeia, cerca de 5 milhões de infecções hospitalares, que são a causa de morte de 50 mil europeus por ano. A Organização Mundial de Saúde fez uma investigação sobre a prevalência destas infecções, em 55 países e concluiu que em média 8,7 dos doentes internados apresentava uma infecção nosocomial, e mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem complicações provenientes das infecções que contraem numa unidade de Saúde.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge fez um estudo sobre as infecções hospitalares, que aludiu à prevalência destas infecções no nosso país e a considerou moderadamente elevada em relação à verificada noutros países europeus, pois em Portugal temos uma taxa de 9,98% enquanto por exemplo na Inglaterra é de 7,6%. O maior número de casos de infecções ocorre nas Unidades de Cuidados Intensivos e nos serviços de Medicina. Noutros estudos anteriores as infecções urinárias eram as infecções hospitalares mais frequentes, mas neste concluíram que o predomínio das infecções é as das vias respiratórias.

As nosocomiais mais comuns prevalecem 26% no aparelho urinário, 20,6% na pneumonia nosocomial e 17,5% na ferida cirúrgica.

Os microrganismos mais temidos nos hospitais exteriores ao nosso corpo são:

 Escherichia coli – a maioria das estirpes desta bactéria é inócua, excepto a 0157:H7, transmitindo-se por via fecal ou oral, através dos alimentos e de pessoa para pessoa. Os sintomas variam segundo a estirpe, mas os mais frequentes são colite e febre alta.

Aspergillus spp – é um fungo que surge nos hospitais depois  da realização de obras, pode provocar infecções superficiais, sobre feridas ou relacionados a corpos estranhos como cateteres. Nos doentes imunodeprimidos a infecção pode ser cutânea, pulmonar, das vias aéreas ou disseminada.

Klebsiella pneumoniae – esta bactéria pode produzir infecção generalizada (sepsis) e eventualmente a morte em doentes imunodeprimidos. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Os microrganismos mais temidos nos hospitais que estão no nosso organismo são:

Vírus sincitial respiratório – este propaga-se facilmente por contacto físico, por isso é muito comum. O contágio em doentes com problemas cardiovasculares, transplantados ou com o sistema imunitário debilitado pode levar a uma doença grave ou mesmo fatal. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Staphylococcus aureus – uma bactéria que ataca doentes muito tempo hospitalizados, imunodeprimidos, queimados, diabéticos, em hemodiálise e outros. Infecções do aparelho urinário, sistema respiratório, tecidos moles e feridas.

Rotavírus – ataca crianças, e é responsável por 5% das mortes em menores de cinco anos e 25% destas nosocomiais são adquiridos no próprio hospital. Provoca gastroenterite que pode ter gravidade variável.

Pseudomonas aeruginosa – esta está sempre em contacto connosco, nos hospitais os doentes oncológicos e queimados, sobretudo podem contagiar-se; tem uma grande capacidade de adaptação e resistência aos antibióticos. A infecção ataca mais as vias respiratórias, feridas e queimaduras.

Candida albicans – é a responsável máxima pelas infecções por fungos, normalmente vive no nosso corpo sem problemas. Pode causar candidíase invasiva.

Algumas medidas aconselhadas para tentar prevenir em parte as infecções hospitalares são a higiene pessoal (lavagem das mãos), protecção de barreira (uso de luvas, máscaras, protecção ocular, …), isolamento do doente (evita o contágio e a infecção), politica antibiótica correcta; entre outras.

Espero que nos anos mais próximos consigamos aproximarmo-nos dos valores conseguidos por outros países europeus, apesar de ter consciência que as infecções hospitalares têm grandes custos humanos, sociais e económicos, difíceis de suportar pelo Serviço Nacional de Saúde.

 

 

 

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